#17 Ideias para Ser Feliz no Digital
2026 vai ser um ano bem "analógico", dizem eles.
É 2026 e o passado nunca esteve tão em alta. Já faz um tempo que a cultura pop parece mais interessada no que já passou do que em criar o que vêm por ai, e o favorito da vez é 2016. Zara Larsson de repente se viu em um boom inesperado na carreira.
Vi em algum lugar falando que, além do hype dos 10 anos, isso se devia ao fato de que em 2016 a internet ainda era um ponto de verdadeira conexão uns com os outros, em que a gente ainda tinha uma experiencia não tão aesthetic de tudo. E é por isso que é hilário para mim que o grande movimento da vez — o da vida analógica — seja acima de tudo, um grande e belo aesthetic. Não é sobre viver o analógico, mas se sentir no analógico.
Eu amo o digital, de verdade, e eu acho que tem formas de trazer mais essa essência do analógico para cá, sem surtar e correr para as colinas. E às vezes sair das redes simplesmente não é uma realidade possível, né? Então aqui estão algumas ideias legais demais que me ajudam imensamente a ter uma vida digital feliz.
★ Liberdade digital: está na hora de mudar de navegador
Possivelmente a melhor coisa que eu já fiz na minha vida foi parar de pesquisar e consumir conteúdos no Google. Eu exclui o Chrome do meu computador e celular, e passei a usar o Brave.
Agora eu pesquiso produtos ou conteúdos de política sem medo de que instantaneamente esse tipo de conteúdo vá aparecer no meu Instagram e demais apps. Antes o meu feed do Instagram, meticulosamente cultivado para me manter sã ali dentro, tinha um custo caro demais: a minha alienação quanto aos assuntos do mundo, que eu me empenhava em consumir aos poucos para não ser, por vez, consumida pelo assunto. Era um tipo de sensação de vigilância e descontrole do que eu via e consumia que eu não percebi que me incomodava tanto até eu sair disso.
Agora eu pesquiso e pesquiso, e no momento que saio do navegador, não vejo mais sobre o assunto em lugar nenhum. Que alívio, sério.
Aviso que pode ser um pouco frustrante em um primeiro momento, porque o Google realmente sabe te entregar respostas rápidas, atuais, além de ter muitas integrações úteis (como pesquisar restaurantes e instantaneamente já receber os horários de funcionamento e tudo mais sobre o local). O Brave, por exemplo, costuma entregar artigos de anos anteriores, o que me obriga a ser mais minuciosa nas minhas pesquisas, mas que também me entrega artigos mais diversos. Para mim, é perfeito.
Faça sua pesquisa de navegador ideal - existem vários por aí - e teste para ver como funciona para você . A experiência no digital se transforma completamente!
Dito isso, eu ainda uso outros diversos recursos do Google (como o gmail), mas está tudo bem. A gente pode ir moldando e cultivando a vida que a gente quer com calma e tropeços.
★ Corresponder aos meus valores internos: largar mão do que não me serve mais
Eu admito que isso é mais uma questão de moral pessoal, mas eu literalmente não aguento mais usar um app que sinceramente está conseguindo ir contra tudo que eu acredito. E eu sei que você pensou instantaneamente no Instagram, porém eu pessoalmente dependo dessa plataforma para muita coisa ainda. Em dezembro, no entanto, eu troquei de celular, o que me permitiu finalmente me desvencilhar de um desses tantos apps que me dão nos nervos: Spotify.
A coisa com o Spotify é que ele é extremamente útil para nós que gostamos de ser social com nosso gosto musical. Você entra em um carro e é convidado a se juntar a jam se quiser colaborar com a playlist. As músicas que seus amigos compartilham são de lá, suas irmãs pegam seu celular e te perguntam “oshe, cadê?” quando não acham o app de música, e as suas playlists se tornam basicamente inúteis do ponto de vista social. Até mesmo a Alexa integra perfeitamente bem com o Spotify, coisa que eu já te digo que ela não faz com outros. Todo mundo, em todo lugar, vai esperar que você use o Spotify. É inconveniente demais parar de usar.
Mas, fazer as coisas em que você acredita é uma das melhores formas de viver bem e em paz com o mundo, então quando vi uma oportunidade, eu larguei sem dó nem piedade. E embora eu ainda ouça musica em um app que não é o ideal, posso pelo menos te recomendar o uso do Last.fm para se conectar com os amigos através da música, e te dizer que o bandcamp é um lugar muito legal para apoiar seus artistas e ser feliz.
★ Um lugar perfeito para fugir dos algoritmos
Ano passado eu descobri um site que te permite criar curadorias de tudo e qualquer coisa que você quiser, e que ativamente vai contra o uso de algoritmos. É como um Pinterest, com boards que você cria cheios de pins que você junta em uma temática que você escolhe. Exceto que é literalmente para tudo, não só imagens, e você tem que ir descobrindo as coisas pesquisando e fuçando por conta dentro das recomendações das próprias pessoas, porque o site não te recomenda nada “baseado nos seus gostos”.
Esse é o Are.na:
Eu não comecei a usar de fato ainda, me senti um pouco intimidada quando achei ele uns meses atrás, mas é meu sonho ter o pessoal aqui do Substack para seguir por lá, e ver o que vocês selecionariam para criar conexões que talvez ninguém mais faria. Se você criar uma conta, se conecte comigo. O Are.na soa muito como um bom lugar para conectar mentes.
★ Eu boto fé que escrever a mão ajuda a memorizar, mas…
Descobrir o Notion anos atrás me curou da necessidade consumerista de comprar cadernos, agendas e planners que eu sabia muito bem que eu não ia usar. E como eu sei que em 2026 a vontade de comprar essas e outras coisas vai só aumentar, gostaria de fazer meu caso pela melhor versão no digital que existe.
Talvez aqui seja um bom momento para te avisar que no quesito organização e planejamento, eu sou uma pessoa que funciona muito bem no digital, e pessimamente mal no físico. Mas eu descobri isso tentando vários métodos (e no meio tempo achando que eu era só muito ruim de organização no geral), então se você testou um único método e desistiu de ser organizada no digital: esse é o seu chamado para continuar pesquisando e testando até achar uma forma que funciona para você.
Eu uso o Notion para tudo, seja no profissional ou pessoal. É aqui que eu faço a criação dos meus personagens de RPG e as notas das sessões, meu planejamento estratégico no trabalho, criação de projetos novos ou organização da rotina. É aqui também que eu escrevo a Na Telha, e guardo meus vision boards e sonhos. Essas são só algumas coisas que eu faço com o Notion, sem pagar um tostão, e eu nem considero que cheguei em 50% do que daria para fazer com ele. Além disso, uma coisa que para mim torna o Notion ainda mais perfeito é o fato que agora existe o Notion Calendar. Acredite em mim, isso elevou o nível a patamares imprescindíveis.
O Notion leva um tempo para se acostumar, o funcionamento interno dele é diferente de outros aplicativos, mas vale muito a pena. Existem vários tutoriais legais e templates para você ir se divertindo por ai.
★ Fazer arte sem lei
Por falar em necessidades consumeristas, eu não consigo contar a quantidade de “ideias para journal” que eu tenho salvo no Pinterest, que eu simplesmente sei que nunca vou colocar em prática. Eu tenho pavor só de pensar na quantidade de coisas que eu teria que ter na minha casa para criar páginas lindas de colagens que satisfariam a minhas necessidades artísticas. A quantidade de revistas antigas, adesivos, canetas… eu gosto dessas coisas, mas tudo tem um limite. Então faz uns anos que eu meio que desisti da ideia.
No entanto, recentemente eu achei um aplicativo que reviveu minha vontade de fazer journals, o Freenotes. Por algum motivo eu nunca consegui usar o Canva para criar um journal digital, mas eu estou me divertindo demais usando o Freenotes. Eu vou começar a ter aulas de pós-graduação esse ano, e esse aplicativo também foi desenvolvido pensando em facilitar tomar notas de aulas. Isso me animou tanto que eu não consigo nem descrever.
Mas o verdadeiro motivo que eu estou gostando tanto de usar ele é que eu prometi a mim mesma que o que eu fizer no meu journal é proibido publicar. Eu absolutamente amo compartilhar tudo e qualquer coisa que eu crio, faz meio que parte da diversão para mim, então fazer algo que eu não vou publicar é de certa forma decepcionante. Mas também me dá 100% de liberdade para meter o louco, o que eu não achei que fosse algo que eu precisava até ter a possibilidade nas minhas mãos.
Talvez pareça meio doido, mas eu sempre tive regras na hora de criar arte. As artes que eu publico no Instagram, por exemplo, eu só posso fazer com imagens minhas, ou concedidas para mim. Isso é uma baita de uma limitação se o seu método de criação são colagens, mas eu sempre amei fazer isso porque são os limites que te forçam a ter criatividade. Arte para mim se tornou um olhar constante para o que eu tinha a disposição, pensando “o que dá para fazer de legal com isso?”. A internet é uma terra sem lei, principalmente no mundo da arte, então ter minhas próprias leis sempre me motivou.
Mas criar arte sem lei? Top 3 melhores ideias, e não tem lugar melhor para isso do que aqui, no digital.
Até a próxima vez que der Na Telha,
Cici.
Aqui Na Telha escrevo sobre meus pensamentos da meia-noite, sobre as línguas do mundo, e falo da vida bem vivida que tento ter. Quando dá Na Telha. No Instagram, compartilho minhas colagens em horários estranhos.





Cici eu amei o texto e as dicas são super úteis!! Fiquei curiosa para experimentar o Arena, até porque o pinterest está me dando nos nervos com aquele tanto de propaganda e imagens feitas por IA. O spotfy tbm é meu calcanhar de aquiles... eu largo tudo, mas não largo o spotfy :( até o insta foi mais fácil de abandonar.
A dica que eu tenho pra contribuir provavelmente vc já sabe qual é: ter um site próprio está trazendo a mágica do digital de volta pra mim :)
adorei essa news!!!! de fato muito tem se falado sobre sair do digital e pouco sobre como usar o digital de uma forma mais vantajosa. tô com vc sobre o notion, tudo de bom!!!